segunda-feira, 15 de junho de 2020

Reino de Deus e missão - texto do palestrante

A palestra completa está no Youtube



REINO DE DEUS E MISSÃO

Oração

Leitura de Ezequiel 47.1-9

Algumas questões que orientam este estudo:

·         Qual é a missão de Deus?

·         Como a missão de Deus e o Reino de Deus se relacionam?

·         Qual a visão de Deus para o seu Reino? O que ele quer?

·         Qual nosso papel na missão dentro do Reino de Deus?

·         Como Igreja, estamos indo na direção certa da visão de Deus?

Com certeza, muito do que vamos falar neste momento vocês já sabem e ensinam. Mas sempre é bom falar sobre a visão do Reino de Deus e sobre a missão que Deus nos deu. É sempre bom pensar em novas maneiras de compartilhar a visão e a missão do Reino de Deus com outras pessoas.

E isso é bom porque podemos perder o foco. Nossas palavras sobre a missão de Deus nem sempre são demonstradas em nossas vidas, principalmente porque nos ocupamos demais com outras coisas. Isso nos impede de ser e permanecer focados na missão de Deus. Sempre é bom reorientar nossas vidas na visão e na missão do Reino de Deus.

1.      A visão de Deus: restabelecer o Reino de Deus (restaurar todas as pessoas e todas as coisas para si) – Gênesis 1-3; Apocalipse 21-22

Vamos voltar ao livro de Gênesis, capítulos 1-3. O que Deus queria desde o começo? O que podemos aprender com a história da criação sobre a visão do Reino de Deus e por que a visão de Deus agora é restaurar seu Reino e restaurar todas as coisas para si mesmo? Deus querer restabelecer seu Reino significa que algo no Reino original de Deus se perdeu. Qual era a visão original de Reino que Deus tinha para o mundo e para o ser humano?

O tempo não nos permite ler os capítulos 1 a 3 de Gênesis neste momento, mas vocês já leram esses capítulos muitas vezes. Pelo que lembram dessas palavras, o que podemos aprender sobre Deus? De maneira especial, por que Deus criou o mundo e o universo? Poderíamos responder que foi para mostrar seu poder e glória, para que o louvemos e adoremos. Mas existe ainda outra razão.

Por que uma pessoa constrói uma casa? Para que tenha um lugar para morar. Por que Deus criou o mundo? Para que as pessoas que ele iria criar tivessem um lugar para morar. Deus queria criar pessoas e criou primeiro um lar para elas.

Nós temos filhos porque queremos ter filhos, não porque precisássemos deles ou porque é fácil ter e criar filhos. Deus também não precisava de nós para ser Deus, ou seria insuficiente sem nós. Ele nos criou porque nos queria.

Isso leva a outra coisa que aprendemos sobre Deus na história da criação: Ele é pessoal. Deus não queria ser Deus sozinho, queria ser Deus para alguém. Ele queria ser nosso Pai, queria ter filhos, queria alguém para amar, com quem se relacionar.

Sempre que pensamos no Reino de Deus, muitas vezes pensamos no GOVERNO de Deus. E como rei, Deus certamente governa, e está acima de toda a sua criação. MAS DEUS QUER FAZER MAIS DO QUE APENAS GOVERNAR. O REINO DE DEUS É UM REINO DE RELACIONAMENTOS! Deus nos criou para um relacionamento com ele! Podemos ilustrar isso com uma seta vertical.

Como sabemos disso? Pelo fato de ele ter nos criado e por causa do como nos criou.

Primeiro, Deus nos criou à sua imagem. Ele nos fez para sermos como ele, para que o pudéssemos conhecer, entender, nos comunicarmos com ele, amá-lo e sermos amados por ele; enfim, para nos relacionarmos com ele.

E segundo, Deus nos criou com suas próprias mãos. Deus nos criou de maneira diferente do restante da criação, que ele fez existir ao falar. O ser humano ele formou com suas próprias mãos a partir da terra.

Pense em Deus ajoelhado, nos moldando com suas próprias mãos. Uma imagem muito íntima. Mas é mais íntima ainda, pois Deus soprou seu próprio fôlego em nós; e a simples terra, em forma de ser humano, começou a viver. Temos o sopro de Deus. Adão foi muito especial. Deus criou Adão para ter um relacionamento com ele.

Mas há mais uma coisa que mostra Deus nos criando para um relacionamento com ele, outra coisa que Deus deu ao homem. Escolha. Deus deu a Adão a liberdade de escolher, dando-lhe a ordem de não comer do fruto da árvore no meio do jardim. E por que isso é tão importante? Você pode ter relacionamento com alguém quando não há escolha?

A decisão divina de dar a Adão e Eva uma escolha foi a escolha mais difícil que Deus fez, mas ele realmente não tinha escolha senão a de dar ao ser humano a possibilidade de escolher, pois o que ele queria era estar em relacionamento com sua criatura especial.

Deus só poderia ter um relacionamento conosco se também fosse possível para nós escolhermos não ter um relacionamento com ele. Deus não criou robôs. Não era isso que ele queria. Ele queria pessoas com quem pudesse ter um relacionamento; para ser seu Pai e seu REI, e para elas serem seus filhos e seu POVO. Esta foi a VISÃO DO REINO de Deus.

Mas não termina aí. Deus não apenas quer ter um relacionamento conosco, mas também nos criou para nos relacionarmos uns com os outros.

Gênesis diz que, no sexto dia, Deus olhou para sua criação e viu que tudo era bom, mas havia uma coisa na criação que não era boa. O homem estava sozinho. Ele olhou para Adão e disse: "Ele é como eu, mas não tem alguém como ele." E assim, pegou uma costela de Adão e criou Eva. Ele os criou para um relacionamento um com o outro. Esse relacionamento mútuo pode ser ilustrado com uma seta horizontal.

 

Deus é um Deus pessoal, mas também é um Deus generoso. Ele não deixou Adão sozinho. Compartilhou Adão com Eva, e ambos tiveram o livre arbítrio de escolher estar em relacionamento com Deus e um com o outro.

Deus nos criou para o relacionamento com ele e nos criou para o relacionamento uns com os outros. Podemos ilustrar isso sobrepondo as duas setas.

É interessante pensar que este pode ser o primeiro lugar em que vemos a cruz na Bíblia, não nos evangelhos, mas no livro de Gênesis! Certo, a Bíblia não diz isso, mas você já se perguntou por que Deus fez nossos corpos na forma de uma cruz? Por que Deus fez o ser humano da forma que somos? Será que Deus nos fez na forma de cruz para nos lembrar, todos os dias, que fomos criados para o relacionamento com ele e para o relacionamento uns com os outros?

E isso foi o "Éden"! Um Deus perfeito em um lugar perfeito, onde pessoas perfeitas viviam em um relacionamento perfeito com Deus e entre si, uma perfeição que deveria durar para sempre! Esse era o Reino de Deus. Era isso que Deus queria.

Não sabemos exatamente quanto tempo durou este estado de perfeição, mas parece que muito rapidamente Deus perdeu o que havia criado e desejado. Adão e Eva logo usaram seu livre arbítrio, sua escolha, para desobedecer a Deus, para escolher NÃO ter um relacionamento com Deus. ESCOLHERAM A SI MESMOS E, ASSIM, ESCOLHERAM ESTAR ISOLADOS DE DEUS. Perderam o relacionamento com Deus e um com o outro. Escolheram a si mesmos.

E o que aconteceu? A cruz foi quebrada e destruída. Quando Deus veio para estar com Adão e Eva, eles se esconderam de Deus e sentiram culpa, vergonha e medo. Em suas mentes, Deus se tornou seu inimigo.

A quebra do relacionamento com Deus logo se manifestou no relacionamento mútuo, pois Adão e Eva começaram a culpar um ao outro, acusar um ao outro, rejeitar um ao outro, machucar um ao outro.

É por isso que Deus odeia o pecado. O pecado destrói relacionamentos. O pecado ainda destrói relacionamentos. O pecado fez Deus perder o que queria, estar com o ser humano.

E o que Deus fez? Ele mudou? O que Deus queria mudou? Não, não mudou. Ele ainda quer um relacionamento conosco e que nos relacionemos uns com os outros. Nós mudamos, mas Deus não mudou.

Por isso Deus faz uma promessa. Em Gênesis 3.15, Deus diz que a descendência de Eva, referindo-se a Jesus, esmagaria a cabeça de Satanás. Jesus seria ferido, mas ainda teria vitória e esmagaria Satanás para tornar possível a reconciliação com o Pai e a restauração do Reino de Deus.

Jesus morreu em uma cruz para restaurar a cruz, restaurar nosso relacionamento vertical, com Deus, e nosso relacionamento horizontal, com as outras pessoas. Todos os pedaços quebrados da cruz são reunidos quando Jesus morreu na cruz. Jesus não apenas morreu na cruz. Ele restaurou a cruz pela morte de seu corpo na cruz.

Esta é a “mensagem da cruz” da qual Paulo fala em 1Coríntios 1, bem como a “mensagem da reconciliação” de 2Coríntios 5. Ambas as expressões estão profundamente ligadas a Gênesis 1-3. A visão do Reino de Deus é a mensagem da cruz e a mensagem da reconciliação. É tudo sobre restaurar relacionamentos.

•        Você não pode RESTAURAR o relacionamento com Deus que foi quebrado sem que haja reconciliação.

•        E não pode haver RECONCILIAÇÃO com Deus sem perdão.

•        E não pode haver PERDÃO sem JESUS ​​CRISTO e o sacrifício que fez na cruz.

A “mensagem da cruz” não é apenas sobre a crucificação de Jesus. Quando ouvimos a expressão “mensagem da cruz”, podemos pensar apenas na crucificação de Jesus, naquilo que ocorreu na cruz. Mas "o corpo não foi feito para a cruz, a cruz foi feita para o corpo". A “mensagem da cruz” não está escrita porque os romanos projetaram uma cruz e a usaram para executar Jesus. A “mensagem da cruz” é sobre a maneira como Deus nos criou e a maneira como Deus nos restaura para si mesmo e restabelece seu Reino. É importante que Paulo use essas duas expressões – a mensagem da cruz e a mensagem da reconciliação, mostrando que a mensagem fala sobre como Cristo restaura nosso relacionamento com Deus e um com o outro, como Cristo nos reconcilia com Deus e uns com os outros.

SE DEUS ESTIVESSE INTERESSADO APENAS EM NOS GOVERNAR, CERTAMENTE NÃO PRECISARIA SACRIFICAR SEU FILHO PARA FAZER ISSO, NEM IRIA QUERER FAZER ISSO. MAS DEUS SACRIFICOU SEU FILHO JESUS, POR CAUSA DO QUANTO ELE NOS AMA E NOS QUER. DE FATO, ELE QUER TER UM RELACIONAMENTO CONOSCO.

E de Gênesis 4 até o final da Bíblia está a história de Deus na MISSÃO de restaurar, de reconciliar – Deus restaurando e restabelecendo seu Reino, RESTAURANDO RELACIONAMENTOS – ao procurar um povo que se relacione com ele pela fé e que se relacione um ao outro com amor, para que Deus possa viver neles e com eles e abençoá-los, e através deles abençoar o mundo. Essa é a visão do Reino de Deus, uma visão que vemos finalmente realizada no livro de Apocalipse 21 e 22.

Vejam Apocalipse 21.3-4: “Eis o tabernáculo de Deus com os seres humanos. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles e será o Deus deles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” Isso é o paraíso. O Éden de novo. O Reino de Deus completamente restaurado. Deus morando com seu povo, o que Deus queria desde o princípio, desde o Gênesis.

Lutero, Catecismo Maior, Pai Nosso: "O reino de Deus outra coisa não é senão o que ouvimos no Credo: que Deus enviou ao mundo a Cristo, seu Filho, nosso Senhor, para que nos redimisse e libertasse do poder do diabo e nos levasse a ele e nos governasse como rei da justiça, da vida e da bem-aventurança, contra o pecado, a morte e má consciência”.

Assim, falar da VISÃO DO REINO DE DEUS é falar sobre o que Deus quer: que o Reino de Deus seja restaurado e restabelecido e o mundo seja transformado por seu amor, à medida que seu Reino é restaurado e restabelecido no coração e na vida das pessoas – QUANDO AS PESSOAS SÃO RESTAURADAS NO SEU RELACIONAMENTO COM DEUS.

Aqui é importante uma observação: fiz questão de enfatizar este primeiro ponto porque, muitas vezes, a missão é embasada de forma não evangélica. John Oberdeck, professor do Seminário de Saint Louis, no livro “O curioso caso do jovem Êutico” (nome do livro em português, que fala sobre o trabalho com jovens), faz justamente esta observação. Entre os reformados, normalmente a missão é baseada ou na Grande Comissão ou no Grande Mandamento. Oberdeck diz que sente que o Evangelho se perde na Lei e que falta uma ênfase na Grande Promessa que expressa o amor de Deus, a partir de textos como João 3.16 ou João 11.25-26. “Antes de podermos responder ao Grande Mandamento ou à Grande Comissão”, afirma Oberdeck, “devemos estar fundamentados na Grande Promessa”. Esse é realmente o diferencial luterano na missão.

Nosso Deus de amor está na missão de "reconciliar o mundo consigo mesmo em Cristo" porque assim prometeu! E Deus, por meio de Cristo, nos chama para tomar parte na sua missão de fazer discípulos! Você está reconciliado, é um filho amado de Deus; agora vá e ajude outros a se reconciliarem e restaurarem o seu relacionamento com Deus.

2.      A missão de Deus: fazer discípulos por meio de Jesus – Mateus 28.19-20

De acordo com Mateus 28.19-20, a missão de Deus é fazer "discípulos" de 100% das pessoas nesta terra até o fim dos tempos. Discípulos são pessoas que creem, buscam e seguem a Jesus.

Fazer discípulos é a maneira pela qual o Reino de Deus é restaurado e restabelecido no mundo, assim como é restaurado e restabelecido no coração de toda e qualquer pessoa. O Reino de Deus é restaurado e as pessoas, uma a uma, voltam a ter um relacionamento correto com Deus.

Nossa missão é ajudar a conectar as pessoas a Jesus para serem discípulos reconciliados e restaurados em seu relacionamento com o Pai! É a vinda de cada pessoa à fé em Cristo que cumpre a missão.

Deus quer que 100% das pessoas sejam discípulos! Aqueles que têm filhos sabem por quê. Com quantos de seus filhos você quer ter um relacionamento? Com alguns deles? Eu poderia dizer: "Tenho quatro filhos, mas estaria bem se tivesse relacionamento com apenas dois dos meus filhos.” Você diria isso? NÃO! Você gostaria de se relacionar com todos eles. Da mesma forma, Deus quer se relacionar com TODOS os seus filhos.

Deixe-me perguntar: se seu relacionamento fosse rompido com um de seus filhos, o que você faria para restaurar esse relacionamento? Qualquer coisa! Ele é seu filho. E é a mesma coisa com Deus. Ele estava e está disposto a fazer qualquer coisa – até sacrificar seu Filho, Jesus.

Cada pessoa que vemos ou encontramos e que não está em relacionamento com Jesus é alguém por quem Jesus deu a sua vida. Deus quer restaurar seu relacionamento com ela. DEUS QUER TODA SUA FAMÍLIA DE VOLTA!

E isso nos leva ao próximo ponto...

3.      A Igreja (você e eu) é convidada para a missão dele – João 20.21; Mateus 4.19

Deus nos convida para sua missão. Deus nos chama, envia e ordena que façamos discípulos. Por isso, algumas perguntas importantes que precisamos fazer são:

•        Sentimos o mesmo que Deus em relação aos perdidos?

•        Compartilhamos a preocupação divina e o amor de Deus pelos perdidos para sermos discípulos que fazem discípulos?

Essa é a direção que Deus quer que sigamos. Deus não tem outra visão do Reino ou outra missão. Esse é o motivo de estarmos aqui.

•        João 20.21: “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.”

•        Mateus 4.19: “Venham comigo, e eu os farei pescadores de gente.”

•        Atos 1.8: "Serão minhas testemunhas..."

•        2Coríntios 5.18,20 "Deus... nos deu o ministério da reconciliação... Portanto, somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós."

Somos os convidados, não os donos ou os que tomam a decisão em relação à missão. Deus é o dono da missão; não nós! Ele determina seus limites; não nós! “Deus... deseja que TODOS sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (1Timóteo 2.3-4). Cristo para todos!

Deus deu Palavra e Sacramentos à Igreja para que a missão seja realizada, pois é com esses meios da graça que o Espírito Santo age para trazer os perdidos à fé.

Nossa igreja ou congregação não pertence a nós ou a nossos membros. Ela pertence a Jesus. Foi ele quem a comprou com seu sangue e a fez existir pelo poder da sua Palavra e do Espírito, e é a ele que respondemos. A Grande Comissão não é algo a ser votado, e devemos liderar de tal maneira que não pareça isso.

É Deus que está em missão, e Deus tem uma visão para essa missão. Deus nos convidou para sua missão e quer semear sua missão no coração do seu povo.

4.      A direção da Igreja é para fora – Ezequiel 47.1-12; Mateus 9.35

 

•        Ezequiel 47.1: A água estava correndo para FORA do templo, e não para dentro!

•        Atos 1.8: “Serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra.” Lutero e as ondas do Evangelho.

•        Mateus 28.19-20: "todas as nações". A terra inteira.

•        Mateus 9:35: “E Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doenças e enfermidades.”

Quando lemos Mateus 9.35, vemos com muita clareza que Jesus não esperou que os perdidos o encontrassem. Ele saiu e os encontrou, os conheceu e deixou que o conhecessem. O fato de Jesus ir tornou possível que ele visse as multidões. Porque viu as pessoas e pelo que estavam passando, teve compaixão delas. E por ter compaixão, Jesus respondeu. Ele curou as doenças e enfermidades enquanto pregava as boas novas do Reino. Construiu relacionamentos com as pessoas como a maneira de levá-las a um relacionamento com o Pai.

As pessoas de nossa cidade não existem para encher nossa igreja. Pelo contrário, as pessoas de nossa igreja existem para encher nossa cidade com Jesus Cristo. A igreja realmente não existe para atrair pessoas a ela. Antes, a Igreja, o povo de Deus, existe para atrair as pessoas a Cristo. Não precisamos intensificar a pressão sobre as pessoas de nossa cidade para que respondam aos nossos convites para VIR; em vez disso, precisamos intensificar a inspiração e o poder do Espírito Santo em nós para responder à ordem de Jesus de IR, especialmente se queremos alcançar os que não creem. O objetivo não é levar corpos para dentro de uma construção, mas levar o Corpo de Cristo para as ruas, casas e edifícios de nossa cidade.

Os incrédulos, e enfatizo isso, são alcançados por meio de relacionamentos. Como ter relacionamentos para levar o Evangelho neste momento. Por um lado, estamos afastados das pessoas, mas por outro há situações e oportunidades que nem pensaríamos antes, e não as podemos desperdiçar.

Se os cristãos querem efetivamente alcançar a cidade em que vivem, terão que entrar nela para conhecer a cidade e as pessoas que ali vivem. É preciso relacionar-se.

5.      Aqueles que precisam de Jesus são o foco da Igreja – Lucas 19.10

Como Corpo de Cristo, nossa missão é a mesma de Jesus Cristo: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10). Os PERDIDOS são a prioridade! A Igreja existe para crentes e descrentes.

•        A Igreja existe para os PERDIDOS, para os descrentes, para que sejam ACHADOS!

•        A Igreja existe para os ACHADOS, os crentes, para que sejam ENVIADOS!

Mas a Igreja continua a existir PRINCIPALMENTE para aqueles que ainda não foram alcançados pelo Evangelho. Jesus disse que quando o Evangelho se espalhasse por todo o mundo, então chegaria o fim (Mateus 24.14). O fim virá APENAS depois que a obra estiver completa. O fim ainda não chegou. A única conclusão que podemos tirar é que a obra ainda não está concluída. Ainda há quem precise ouvir o Evangelho.

Aqueles que precisam do Reino são o foco. É deles que Paulo fala em 1Coríntios 9: “Fiz-me tudo para com todos, a fim de, por todos os modos, salvar alguns.” (1Coríntios 9.19-23) Como eu posso me fazer tudo para o outro, senão o conheço, não me relaciono com ele, não sei das suas necessidades ou prioridades?

6.      Pastores e membros devem estar juntos na missão de fazer discípulos

Ainda há uma questão que precisamos abordar, ao nos encaminharmos para o final deste momento. A quem é dada a missão de Deus. E a resposta é clara: aos discípulos, aos que já chegaram à fé. Não é exclusividade dos pastores, ou dos não pastores, dos leigos.

A função principal do pastor é:

•        Pregar – Romanos 10.14: “como crerão... se não há quem pregue?”

•        Visitar os doentes – Atos 6.

•        Aconselhar – 2Timóteo 3.16: "útil para a repreensão, correção".

•        Ensinar – Tito 2.1ss: “Ensina idosos, jovens, servos”.

•        Edificar o corpo de Cristo – Efésios 4.12 (aperfeiçoar os santos para o desempenho do seu serviço).

•        Fazer discípulos que façam discípulos – Mateus 28.19-20.

Tudo isso é muito bom e necessário. Tudo isso Deus pediu que os pastores fizessem. O problema é aquilo que muitas vezes não é mencionado, ou normalmente é esquecido pelas pessoas e pelos pastores, e que os pastores também precisam fazer: ter visão e liderança para ajudar o povo de Deus a trabalhar em conjunto para cumprir a missão de Deus, desenvolvendo outros líderes para que a missão possa ser expandida e estendida. A maioria dos pastores não pensa muito em liderança e visão, menos ainda em desenvolver outros líderes.

Hora do marketing: é por isso que o MML e o PLI existem. É por isso que estou comprometido com o trabalho do MML e do PLI. É para ajudar a responder à pergunta: "Estamos indo na direção certa, a direção da missão de Deus?" É para auxiliar pastores e esposas a desenvolverem a si mesmos e aos dons da sua liderança, para que sejam discípulos que fazem discípulos na missão de Deus. É para que os membros das congregações olhem para o que Deus quer, para a visão de Deus, e para o que Deus faz, a missão de Deus, e coloquem seus dons, seu tempo, sua vida, nesta missão.

É muito bom falar sobre a missão que Deus nos deu. É ótimo pensar em novas maneiras de compartilhar a visão e a missão do Reino de Deus. Precisamos sempre alinhar tudo que fazemos na direção que Deus quer, que é salvar as pessoas, TODAS as pessoas.

A visão é o Reino, o que Deus quer. O objetivo é o relacionamento com Deus e com os outros, aqui e eternamente. A estratégia é a missão, levando uma a uma das pessoas a estarem com Cristo. Os recursos são os meios da graça, que Deus e nós temos em abundância. Os trabalhadores do Reino somos nós, pastores, e as pessoas que Deus colocou sob nossa responsabilidade pastoral. A recompensa, bom, essa eu só consigo imaginar, mas sei que é indescritível e incomparável, como é o amor de Deus em Jesus Cristo.

Diálogo

Oração: HL 329

Em agonia o mundo vai rumando à perdição: angústia, brados, débeis ais demonstram aflição.

Senhor Jesus, aviva-nos em hora tão crucial; Senhor Jesus, à Igreja dá amparo celestial.

 

Adora as pedras o pagão, das trevas teme o mal; se encolhe a sós na urbana luz vaidoso ser mortal.

Senhor Jesus, desperta os teus a ver o seu pavor; Senhor Jesus, à Igreja dá por eles grande amor!

 

O entendimento natural procura a Deus em vão. Teu Evangelho em seu fulgor propaga entre a nação!

Senhor Jesus, poder nos dá e à pregação vigor; Senhor Jesus, ativa em nós a fé e o destemor!

 

Adverte do juízo a voz, e no alto paira a cruz; milhares agonizam já, não vendo a eterna luz.

Senhor, constrange a tua grei a Nova a proclamar; Senhor, aviva a Igreja aqui – em mim vem começar!

 

Exemplo relacionado à questão de como a missão deve ser central no trabalho da Igreja:

Imagine que num carro estão quatro áreas da Igreja: Programas, Finanças, Relacionamentos e Missão. Qual deve dar a direção, ou seja, ser o motorista da congregação?

Se forem os programas, as pessoas acharão suficientes ir ao culto, estudo bíblico, eventos, etc. O importante é o que acontece lá na igreja.

Se forem os relacionamentos, qualquer desavença entre pessoas pode acabar com o trabalho. E é muito comum haver desavenças na congregação.

Se forem as finanças, pode haver desmotivação para a contribuição financeira à congregação, pois as pessoas estariam ofertando só para manter o trabalho, por necessidade, sem saber para onde a congregação está indo.

Mas se a missão liderar a direção em que a congregação anda, baseada na visão de Deus para a salvação das pessoas, os programas serão projetados missionariamente; os relacionamentos terão por base o compartilhar, o testemunho do Evangelho; e na parte das finanças haverá uma correta motivação, visto que as ofertas têm um propósito claro.

 

Pastor Rony Ricardo Marquardt

Diretor para a América Latina do Pastoral Leadership Institute

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Explicação

Entendam

Por que inscrições pra cada reunião? Porque pode ser que você não possa no dia que foi programada a reunião. Pode ser que o tema não te inte...